fernando giovanella implante zigomatico.

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Iniciando em Implantes Zigomáticos - PARTE I


Se eu estivesse começando na área de implante zigomático hoje, quais informações eu gostaria de estar recebendo para diminuir minha curva de aprendizado?


Esse foi o questionamento que me fiz ao criar essa série de posts sobre como iniciar na fascinante área do tratamento das maxilas atróficas sem enxerto ósseo com implantes zigomáticos.


Se você ler todos os posts e achar que essas informações aqui escritas não te trouxeram mais clareza mental de como iniciar em implantes zigomáticos, me avise que eu irei deletá-los. A internet já possui “ruído digital” demais. Não quero ser apenas mais um “produzindo conteúdo”. Quero de fato contribuir.

Falar de implante zigomático não é fácil porque inicialmente precisamos quebrar todas as crenças e inverdades que foram sedimentadas na psique do cirurgião dentista ao longo da sua especialização em implantodontia. É como fazer uma reforma. Primeiro é necessário destruir para depois reconstruir.


Então, mãos a obra e boa leitura!



1. INTRODUÇÃO


Uma peculiaridade de cirurgia de implante zigomático é que não existe meio termo. Ou você faz ou não faz. Na implantodontia “não zigomática” existem margem para erros e, mesmo errando, você se mantém no jogo até dominar. Já implante zigomático, a maioria que tenta aprender acaba desistindo nas primeiras cirurgias. Por que?


Na hora da cirurgia, após a anestesia e descolamento mucoperiosteal total, é a hora de iniciar as perfurações para posterior instalação dos implantes zigomáticos. Nesse momento crucial do procedimento, o questionamento que domina totalmente a mente do cirurgião é: E aí, onde eu furo?


Nesse momento não interessa seus títulos acadêmicos, não interessa quantos artigos você publicou e não interessa o seu ego. Essa é a hora da verdade. É aqui que acaba a demagogia e se inicia uma clara distinção entre informação e conhecimento.


Leia todas as publicações sobre implante zigomático, faça revisões sistemáticas de literatura e você terá muita informação. Claro que essa informação também é importante. Mas não é suficiente. A sabedoria não está em acúmulo quantitativo de informação, mas sim qualitativo. O professor do futuro é um curador da informação útil. Saber as poucas informações essenciais que nos guiarão até as condutas práticas é a real sabedoria. É isso que nos leva ao resultado. E aí, onde eu furo?


Leia todas as técnicas de implante zigomático publicadas até então e perceberá que não existem respostas objetivas. A intuição do cirurgião tem sido o grande motor do procedimento. O grau de subjetividade é muito grande.


Mas, uma vez que você cruzou a arrebentação inicial da difícil curva de aprendizado da cirurgia de implante zigomático, como passar essas informações adiante? Como se ensina implante zigomático? Como se aprende implante zigomático? Onde eu furo?


Esse post não segue a norma. O foco será no aprendizado (você) e não no ensino (em mim). Quando o foco é no ensino o professor tende a priorizar a demonstração de conhecimento (volume de informação). Quando o foco é aprendizado, a prioridade é trazer a informação brutalmente aplicável e que irá trazer de fato valor e resultado para os alunos.


Por conta disso, eu não vou escrever na terceira pessoa como é praxe na escrita científica (os catedráticos extremistas que me perdoem), não vamos entrar nos preâmbulos da minucia dos cálculos estatísticos e não vamos discutir a nano biologia molecular da osseointegração. Existem várias obras que te fornecem essas informações, que com certeza também são importantes, mas.. onde eu furo?


A resposta está na tecnologia, no conhecimento cirúrgico, na objetividade e na capacidade de raciocínio prático.

Quando se fala em tecnologia muitos pensam em aquisições de caríssimos sistemas e utilização do último sistema navegado recém lançado. Isso também é um caminho. Mas não é o único.


E se houvesse uma forma de melhorar substancialmente nossa assertividade cirúrgica, diminuir nossa curva de aprendizado, termos referências objetivas para realizar as perfurações iniciais com segurança, sendo algo totalmente acessível a todo os cirurgiões de imediato, sem investir um centavo, não seria interessante?


Existem várias formas de aprender implantes zigomáticos. Vou te mostrar um caminho. É o melhor caminho? Não posso responder pois eu teria um viés. Então sugiro que entenda o método e depois tire suas próprias conclusões.

Esse post é para o cirurgião, para aquele que quer simplesmente sentar no mocho e realizar os procedimentos com maestria, com segurança.


Quando perguntares na hora da cirurgia, onde eu furo?

A resposta estará na palma de sua mão.




2. O "Mismatch" entre o que o paciente busca e o que o dentista oferece


O que os pacientes buscam?


O paciente está com uma prótese total superior extremamente instável e procura uma solução para o seu problema. O que ele busca, o que ele imagina, e o que é ofertado a ele?


Ele busca uma solução para o seu problema. Ele não busca uma cirurgia. Entenda, ele não é cirurgião, e, ao contrário de nós, ele não gosta de ver sangue, de procedimentos cirúrgico ou fotografias de implantes instalados.

Se existisse uma alternativa não cirúrgica e que resolvesse seu problema certamente optaria por isso. Mas ele já sabe que isso não existe. Já trocou de próteses várias vezes e até passou a utilizar cremes fixadores de dentaduras e nada resolve o problema como espera.


Como todos os pacientes hoje pesquisam sobre soluções na internet ele já sabe que, em tais circunstâncias, a única alternativa é o implante dentário. Já imagina e entende antecipadamente que passará por um procedimento cirúrgico. Apesar do medo, ele resolve encarar o tratamento, afinal, é só uma cirurgia e tudo estará resolvido. Terá sua vida de volta.


Então se prepara para fazer a avaliação com o seu dentista de confiança para encarar logo essa cirurgia e resolver de uma vez seu incômodo problema. Pesquisou sobre carga imediata e sabe que em poucos dias, ou até mesmo no mesmo dia, tudo poderá estar resolvido.


Após o exame clínico e tomográfico vem o diagnóstico. Não há osso suficiente para a instalação imediata dos implantes dentários. Estamos diante de mais um caso de maxila atrófica. Na cabeça do cirurgião não existem dúvidas e o método de tratamento é automaticamente selecionado. Assim como 2+2=4, maxila atrófica = enxerto ósseo.


O que é ofertado a ele então? Enxertia óssea. Não apenas 1 cirurgia, mas, no mínimo 3 cirurgias até a finalização do tratamento e mais de 1 ano de tratamento, dando tudo certo.


- Mas não se preocupe Sr. Paciente, eu tenho muitos títulos e sou um grande cirurgião. Vou te mostrar como sou capaz de reconstruir todo o seu maxilar, tenho muito experiência em cirurgia avançada de enxertia óssea e podemos retirar osso da sua bacia com anestesia geral e parafusar vários blocos de osso no seu maxilar, vai ser uma cirurgia incrível!


Após ficar mancando e não conseguir utilizar a sua dentadura por várias semanas, vamos agendar uma segunda cirurgia para instalar os implantes e depois de alguns meses vamos agendar a terceira cirurgia pra reabertura desses implantes e vamos iniciar a confecção dos seus sonhados dentes fixos.


A esse ponto, o que se passa na cabeça do paciente?


Medo, decepção e receio. A coragem inicial para a realização da uma cirurgia é esmagada pela notícia da necessidade de enxerto ósseo e, no mínimo, 3 cirurgias.


Eis o mismatch:

  • O paciente busca uma solução e imagina: 1 cirurgia simples e rápida.

  • O cirurgião oferta: 3 cirurgias, enxerto ósseo, semanas sem utilizar a dentadura, mais de 1 ano de tratamento.